A proibição do uso de ambulâncias vinculadas a políticos no Hospital João Murilo de Oliveira, em Vitória de Santo Antão (PE), evidenciou uma polêmica que expõe conflitos entre gestão pública, interesses políticos e as reais necessidades da população local.
*Proibição e repercussão
A decisão da direção do hospital, comunicada aos vereadores e efetivamente restritiva desde novembro, busca centralizar e padronizar o processo de remoção de pacientes, transferindo a responsabilidade exclusivamente à equipe e frota da unidade pública.
Segundo a gestão, a medida atende orientações técnicas e normas do SUS voltadas à transparência, segurança e regulação dos atendimentos de urgência. No entanto, a reação de parlamentares e parte da comunidade foi imediata: vereadores como Denis Lima denunciaram publicamente o risco para vidas humanas devido à limitação dos recursos de transporte emergencial, frequentemente insuficientes para a alta demanda.
*O Uso Político das Ambulâncias
Há anos, ambulâncias adquiridas e/ou operadas por vereadores e políticos em diversos municípios são objeto de debate. Esse tipo de serviço, apesar de prestar socorro direto a moradores em situação vulnerável, é apontado por especialistas como uma ferramenta de assistencialismo e capitalização eleitoral — vereadores associam seu nome ao veículo e frequentemente prestam atendimento seletivo, criando um vínculo político em troca de favores ou votos.
A presença dessas ambulâncias paralelas pode contribuir para desigualdade no acesso, beneficiando mais quem mantém laços com o político do que quem está em situação crítica e não possui esse contato.
*O Lado da População: prejuízo e desamparo
Embora o uso político dessas ambulâncias seja questionável do ponto de vista ético e administrativo, a retirada desse recurso traz, na prática, um prejuízo imediato: muitos pacientes relatam longa espera e até risco de agravamento de quadros clínicos por falta de transporte suficiente disponibilizado pelo próprio hospital.
Depoimentos citados em tribunas e redes sociais revelam histórias em que o socorro só foi possível graças à intervenção dessas ambulâncias de parlamentares, sendo, para muitos, o único meio de acesso a procedimentos mais avançados em municípios vizinhos ou na capital.
O caso de Vitória de Santo Antão levanta novamente o debate sobre como deve ser a organização da saúde pública: equilibrar a necessária impessoalidade e regulação do serviço, proibindo o uso privado de recursos públicos, sem permitir que falhas estruturais e carência de frota deixem a população desamparada.
Da redação do Portal Rádio Sintonize o Som
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